Eczema: tem cura?

“O eczema tem cura?": esta é uma das perguntas mais frequentes durante a consulta médica e mesmo fora do contexto clínico.

Eczema por idade

Na grande maioria dos casos, o eczema atópico surge durante o primeiro ano de vida e desaparece por volta dos 5-6 anos de idade. No entanto, falar sobre uma verdadeira "cura" é incorreto, pois a pele não altera as suas características e, em particular, mantém os problemas relacionados com a sua capacidade isolante: a pele permanece seca e/ou sensível.

Da mesma maneira, a atopia consiste numa predisposição para desenvolver determinadas doenças. À medida que cresce, a criança poderá já não ter eczema, mas poderá sofrer de asma, rinite ou conjuntivite. É impossível prever qual será o desenvolvimento ou a síndrome atópica seguinte.

Além disso, por vezes parece que o eczema está curado, mas pode reaparecer na idade adulta, depois de anos ou mesmo décadas em remissão.

Noutros tipos de eczema, como o eczema de contacto, a eliminação clara e definitiva da substância alergénica acaba de vez com os surtos. Mas, se ocorrer um novo contacto com a substância, as placas de eczema reaparecerão. Falar de "cura" também não é correto neste caso.

Fases ativas e fases calmas

Um dos aspetos mais importantes a reter sobre o eczema é a sua natureza crónica e recorrente.

Esta ideia pode realmente perturbar os pais no momento do diagnóstico, pelo que precisam de receber informações corretas. O surtos de agravamento correspondem às fases ativas da doença, sendo que os períodos de remissão são as fases de trégua ou latência.

Os tratamentos tópicos não permitem curar o eczema. Destinam-se a parar rapidamente a inflamação e o prurido durante os surtos e a fortalecer a pele durante as fases de remissão para prevenir novos surtos ou aumentar o intervalo da sua ocorrência.