Os cuidados dermatológicos que melhoram o seu dia a dia

Alopécia

O termo alopécia não designa uma doença. Alopécia significa falta de cabelo. Deriva do termo grego alopex que significa raposa (este mamífero perde pêlo de forma abundante nos meses quentes).
Alopécia:

O termo alopécia não designa uma doença. Alopécia significa falta de cabelo. Deriva do termo grego alopex que significa raposa (este mamífero perde pêlo de forma abundante nos meses quentes). A falta de cabelo pode ser provocada por problemas muito variados e é fundamental chegar a um diagnóstico para saber como tratar. Alopécia deve ser distinguida de deflúvio, que corresponde a uma queda exagerada de cabelo (para o habitual nessa pessoa e nessa altura do ano). Pode existir alopécia com ou sem deflúvio e deflúvio com ou sem alopécia.
 
Quando se deve procurar ajuda especializada?

Sempre que exista:
Queda exagerada de cabelo (comparação para o habitual para essa pessoa nessa altura do ano); Áreas sem cabelo. Redução da densidade de cabelo; Alteração do Couro Cabeludo – escama, vermelhidão, etc.; Sintomas: dor, ardor, comichão no couro cabeludo.
 
A quem recorrer?

Deve visitar o seu médico de família ou, sempre que possível, um dermatologista. A tricologia é o ramo da dermatologia que se dedica ao estudo das doenças que podem implicar o cabelo. Tem técnicas próprias, como a tricoscopia (ver o cabelo e o couro cabeludo em aumento), o tricograma e o fototricograma (permitem avaliar a fase do ciclo em que os cabelos estão, a espessura e o crescimento) e outras comuns à dermatologia, como a biópsia cutânea. Também a técnica cirúrgica – nomeadamente o transplante de cabelo – tem características muito próprias. A existência de dermatologistas que se dedicam à tricologia é uma mais-valia e garantia para os pacientes, já que  algumas das doenças que provocam alopécia não são frequentes e a capacidade de tratar bem estes pacientes também é determinada pelo volume de pacientes com alopécia que o dermatologista observa.
 
Como se chega ao diagnóstico?

O dermatologista chega ao diagnóstico, na maioria dos casos, ouvindo o paciente e observando-o. A tricoscopia (exame de visualização em aumento do couro cabeludo e dos cabelos) é muito útil e atualmente faz parte da rotina de observação. Permite diagnosticar em fases muito iniciais a calvície comum (alopécia androgenética) não visível a olho nu detectando miniaturização (cabelo mais fino) em mais de 20% dos fios. Permite também distinguir as várias doenças que afetam o couro cabeludo por padrões típicos de cada uma. O fototricograma permite determinar taxa de crescimento e diâmetro dos cabelos, o que permite distinguir calvície comum de deflúvio (queda de cabelo sem miniaturização). Em casos raros, temos que efetuar uma biopsia de pele para saber que doença afeta o couro cabeludo.
 
É possível reverter a situação?

A calvície nem sempre é reversível. Existe um conjunto de doenças que têm como estado final uma calvície não reversível - chamam-se alopécias cicatriciais. A mais comum destas doenças nos caucasianos é o líquen planopilaris. Noutras doenças, como a alopécia areata, habitualmente existe potencial de recuperação total dos folículos (fábricas que produzem cada cabelo) e consequentemente a falta de cabelo não é definitiva. Na calvície comum (alopécia androgenética) existe potencial de manter e melhorar (tornar mais grossos) os folículos existentes com o tratamento médico. Os folículos que se tenham perdido já não é possível recuperar. No caso de doença (alopécia areata, líquen planopilaris, foliculite decalvante, etc) o follow up de início será feito aos 2 ou 3 meses para avaliar o controlo da doença, enquanto na calvície comum bastará reobservar aos 6 meses.
 
Se não provoca calvície, a queda intensa deve ser desvalorizada?

A queda de cabelo não deve ser desvalorizada, sobretudo quando diferente do padrão habitual para essa pessoa e para essa época do ano. Nesses casos, pode ser a forma de apresentação da calvície comum (porque os folículos correspondentes a fios mais finos têm ciclos mais curtos) ou de uma doença (por exemplo alopécia areata). Para determinar se a queda de cabelo é patológica são úteis o teste de tração (puxar um conjunto de cabelos e ver quantos se soltam) e o fototricograma (detecta um excesso de cabelos em fase final do ciclo - telogen).
 
Que métodos existem para melhorar a alopécia?

Cada doença tem um tratamento específico. No caso da calvície comum (alopécia androgenética) os tratamentos mais úteis são o minoxidil (tópico e oral), os medicamentos anti-androgénicos e o transplante de cabelo. Na alopécia areata (doença que a maioria das vezes cursa com peladas) o medicamento mais usado é o corticosteróide (tópico, intra-lesional ou tomado). Numa alopécia de causa carencial teremos que repor o componente deficitário (ferro, por exemplo). No caso de alopécia cicatricial primária dependerá da doença em causa. Por exemplo, em pacientes com lupus eritematoso discóide os anti-maláricos serão o tratamento mais útil. Ou seja, como em todas as áreas da medicina, dependo da doença o tratamento será diferente. Também o estado de saúde do paciente e a expressão variável de cada doença em cada um fazem variar o tratamento escolhido.
 
Qual a causa mais frequente de alopécia na mulher e como tratar?

A calvície comum (alopécia androgenética) é a principal causa de perda de cabelo na mulher. Pode iniciar-se em qualquer altura desde a puberdade e piorar após a menopausa. Habitualmente não cursa com queda muito exagerada de cabelo já que a perda do cabelo se dá por miniaturização (o fio vai-se tornando mais fino até que desaparece). A maior queda deve-se ao encurtamento do ciclo do cabelo (a renovação do fio de cada folículo faz-se ao fim de cada vez menos tempo). A frequência varia com a idade - afeta cerca de 10% das mulheres aos 20 anos, 20% aos 40, 60% aos sessenta e 80% aos oitenta anos. É progressiva (piora-se sempre lentamente) quando não tratada.

Tratamento Médico/Tópico – Actualmente não existe dúvida de que o mais eficaz produto aplicado directamente no couro cabeludo é o medicamento minoxidil.

Tratamento Médico/Sistémico – A administração de finasterida e dutasterida (comprimidos) por via oral, de modo a bloquear a acção da hormona masculina no folículo piloso, constitui, em muitos casos, uma ajuda preciosa, embora o seu uso não esteja aprovado/regulado para esta situação. Sabe-se hoje que a dose eficaz na mulher é bastante mais alta que a dose eficaz no homem. O minoxidil por via oral também é um tratamento sistémico interessante

Tratamento Cirúrgico – Transplante de cabelo: Consiste em remover cabelos das áreas não afectadas pela queda geneticamente determinada (de lado e atrás), sob a forma de pequeníssimos pedaços de pele (microenxertos) e implantá-los na área mais afectada pela queda. O cabelo implantado, por possuir receptores hormonais diferentes, não se perde com o passar dos anos. A técnica actual consiste em implantar cabelo a cabelo, o que permite aparência natural. Este método é moroso, envolve um trabalho de equipa entre médicos e técnicos. A densidade de cabelo que se obtém é limitada, mas habitualmente é suficiente para obter um ganho significativo na aparência.
 
Como valorizar a queda de cabelo?

Perder cabelo, dentro de determinados limites, é normal. A perda do cabelo normal corresponde à renovação do produto final nas fábricas que originam cada cabelo: os folículos. Temos habitualmente 10% destes com um cabelo em fase de cair (telogen). Se em vez de 10% tivermos 20% notaremos uma queda exagerada de cabelo. Como o número de cabelos que cai aumenta em determinadas alturas do ano de forma fisoilógica (verão e outono) devemos preocupar-nos apenas se o cabelo que cai  é em muito mais quantidade que o habitual para nós nessa época do ano.

O aumento da queda pode dever-se a fatores desencadeantes como o parto, doença, cirurgia, paragem de uma pílula, dieta ou medicamentos. Pode também dever-se a doença (alopécia areata, por exemplo) ou ainda ser a forma inaugural da calvície comum (alopécia androgenética) já que os folículos mais finos próprios desta condição têm ciclos mais curtos. Esta apresentação da calvície comum com mais queda de cabelo é comum sobretudo na mulher.

O meu conselho será: se cai mais cabelo mas acontece sempre na mesma altura do ano e de forma repetida, não se deve preocupar. Se cai mais do que o habitual para a mesma altura do ano, deve ir ao médico, se possível a um dermatologista, para este determinar se a queda está associada a doença e carece de tratamento.

Dr Rui Oliveira Soares – Coordenador de tricologia Hospital Cuf Descobertas e Dermochiado
Secretário Geral do Grupo de Tricologia da Sociedade Portuguesa de Dermatologia
Professor no  International Master in Trichology and Hair Transplantation, Membro da European Hair Research Society, Membro da International Trichoscopy Society